O País da Gambiarra

O Brasil é campeão em corrupção, em crimes contra a vida, em violência no trânsito, em impunidade e lentidão da Justiça e na falta de serviços de esgotamento sanitário, para ficar apenas nesses exemplos.

Procura-se combater a corrupção com a campanha O Que Você Tem a Ver Com a Corrupção?, cobrando bons exemplos das crianças, ao mesmo tempo em que a mídia noticia a rapinagem dos cofres públicos por marmanjos engravatados. Busca-se reduzir os números da macabra estatística dos crimes contra a vida com a campanha Conte até 10, focando homicidas ocasionais envolvidos numa discussão no trânsito e em conflitos de vizinhança, que corresponde a apenas 13% dos crimes de sangue. O tráfico de drogas está na raiz dos demais homicídios e seus malfeitores somente serão contidos com persecução penal mais efetiva.

Os crimes de trânsito são reprimidos com penas mais brandas do que as cominadas à criminalidade rasteira, a exemplo de pequenos furtos. Busca-se o fim da impunidade e a lentidão da Justiça Criminal com reformas que tendem a aumentar o número de delitos passíveis de penas alternativas. A ideia é diminuir a massa carcerária para resolver a histórica superlotação dos presídios, por omissão do Poder Executivo.

Com a tragédia na Boate Kiss em Santa Maria, RS, colecionamos, com muito pesar e tristeza, mais um título indesejável: também somos o país da gambiarra, da irresponsabilidade, do improviso, do faz-de-conta e do amadorismo. Em uma palavra, com o jeitinho brasileiro setores do poder público costumam cumprir suas obrigações.

Recorre-se igualmente ao jeitinho brasileiro para reduzir os malefícios provocados com a falta de serviços de coleta e tratamento de esgotos. A criatividade de algumas Prefeituras parece não ter limites nessa área de atuação: eles compram equipamentos produzidos em escala industrial para tapar bocas-de-lobo.

Em períodos de estiagem, essas engenhocas ficam fechadas para livrar os moradores do incômodo mau cheiro do esgoto clandestino. A gambiarra é ineficiente. É como tapar o sol com a peneira.

A depender dos maus exemplos que costumam vir de Brasília, ainda teremos de conviver por muitos anos com a pecha de país da gambiarra e de campeão em títulos que nos condenam ao atraso.

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