PAJELANÇA NO PALÁCIO DO PLANALTO

Um dia após sua condenação a 8 anos e 9 meses de prisão, pela prática de graves crimes contra a democracia e suas instituições, o Deputado Daniel Silveira recebeu  a graça (perdão da pena) do Presidente Bolsonaro. A constitucionalidade do benefício, inédito no Brasil, está sendo questionada no Supremo Tribunal Federal. 

Na última quinta-feira (28.04.22),  em novo ataque e deboche ao Poder Judiciário,  o Presidente Bolsonaro homenageou o Deputado agraciado. A pajelança  teria passado despercebida da maioria da população ordeira e trabalhadora do interior do país, não fosse pela  participação festiva e apoiadora de comitivas municipais de Prefeitos e Vereadores, que estavam em Brasília na Marcha dos Prefeitos.

Em várias imagens que circulam nas redes sociais,  representantes locais caminham  ao lado do Deputado nas dependências do Palácio do Planalto, emprestando-lhe explícito apoio e solidariedade com gestos e palavras de ordem. 

Mas afinal qual a vinculação das comunidades interioranas, especialmente de Santa Catarina, com esse Deputado? Resposta: nenhuma. Absolutamente nada nos une à pregação antidemocrática que o parlamentar faz nas suas redes sociais, confundindo liberdade de expressão com liberdade de agressão, direito inexistente  no mundo civilizado.

As tradições e valores das populações que vivem nos pequenos municípios (nos grandes também) não coincidem com o discurso de ódio  e de violência do parlamentar federal pelo RJ. A maioria dos brasileiros respeita as regras do jogo democrático, não faz ameaças de agressão a autoridades e muito menos defende o fechamento de Tribunais e Fóruns de Justiça e do Poder Legislativo. (Notem que o Deputado Silveira fez sérias ameaças contra os Ministros e incitou a população a dar-lhes uma surra e tirá-los de seus cargos à força, fechar o STF e o  Congresso Nacional).

A bajulação e o apoio à agenda antidemocrática do deputado fomentam as fake news e  ataques contra a jovem democracia brasileira que, apesar de seus defeitos, é preferível à melhor das ditaduras (Rui Barbosa). Se os apoiadores conhecessem um pouco da trajetória do parlamentar, não teriam participado desse espetáculo grotesco. Quando era cobrador de ônibus, Silveira falsificava atestados médicos para faltar ao trabalho; como policial militar, destacou-se pelo seu comportamento truculento; respondeu a vários processos disciplinares e foi preso mais de uma vez, até que em 2018, na iminência de ser chutado da Corporação, elegeu-se deputado federal com pouco mais de 31 mil votos. De lá para cá, o deputado vem destilando ódio contra as instituições democráticas, defende  a volta do Ato Institucional número 5, da ditadura e dos torturadores.

Deixe um comentário